20 January 2009

"Eu queria ter na vida simplesmente
Um lugar de mato verde
Pra plantar e pra colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal e uma janela
Para ver o sol nascer
Às vezes saio a caminhar pela cidade
À procura de amizades
Vou seguindo a multidão
Mas eu me retraio olhando em cada rosto
Cada um tem seu mistério
Seu sofrer, sua ilusão"

27 December 2008

Paciência

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo
Pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Lenine

03 December 2008

O desperdicio

É perturbador encontrar um amigo íntimo que nos desleixou a amizade. Porque a velha química de novo se põe em marcha e a conversa flui. Como se não passasse do capítulo seguinte num livro feito de muitas noites, bastantes copos, alguns amores e dois homens a céu-aberto. Mas não é verdade: o coração abre-se; como ele o caixote das recordações e a caixa dos afectos. Mas a caixinha da confiança cega, no interior de tudo o resto, permanece intransigente. A chave apodreceu de tanto esperar...
É muito bom o reencontro! Mas se voltarmos a viajar juntos cada um dormirá no seu quarto. E encontrar-nos-emos de manhã, na sala do pequeno-almoço, como os excursionistas japoneses, delicados e munidos das suas máquinas fotográficas. Porque a amizade, quando mostra as garras, furiosa por ter sido desperdiçada, pode revelar-se bem mais severa que o amor.

Júlio Machado Vaz

17 November 2008

the lights go on
the lights go off
(...)
when i feel alive
i try to immagine a careless life
a scenic world where the sunsets are all
breathtaking

Beirut

29 October 2008

Horas rubras

Horas profundas, lentas e caladas
Feitas de beijos sensuais e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas.

Ouço as olaias rindo desgrenhadas.
Tombam astros em fogo, astros dementes.
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p'las estradas.

Os meus lábios são brancos como lagos
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras.

Sou chama e neve branca misteriosa.
E sou talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!

Florbela Espanca

13 October 2008

"Stole me away
First time I saw you
You did me that way
What should I say
I saw you laughing
And I was afraid
I might get in the way

Stole me away
First time I saw you
You did me that way
What should I say
Saw you there dancing
But I was afraid
I might get in the way

It's like the first time I saw you
You do me that way
What should I say
I see you here standing
And I am afraid
I might get in your way

I never thought
I would see you again
How have you been
Do you remember
I mean everything
You steal me away
Like the first time I saw you
You do me that way
What can I say
I see you standing here
And I am afraid
I might get in your away"

***

09 October 2008

Prisão

Estão outra vez a tocar! Tocam, tocam e não param...
Primeiro ouvem-se ao longe sem corpo,
zonzos
Depois envolvem a minha vida desde o inicio,
infiltram-se
preenchem
arrumam os desalinhos,
os desalinhos: os encantos
mastigam os momentos e vomitam quadros estácticos que não são meus
Vibrações internas constroem um castelo de geleia aguada de mim
e no ultimo minuto,
no primeiro momento
espraiam a água doce sobre pedra encandescente
e eu...
vapor disperso!

Carochinha