Liberdade
É o horizonte ser uma surpresa
embrulhada de azul
e eu abri-la com os meus dedos
inquietos e descobridores
É a claridade meiga
de quando o sol se aproxima
das coisas que ilumina
É um corpo beber outro
aos poucos
em goles de espanto e desatino
É deitar-me numa nuvem
no chão
É não caber dentro de mim
e verter palavras
para respirar
É fechar os olhos
e acordar profundamente
É uma ideia imensa
de veludo
a massajar-me suavemente
a vida
Vitor Encarnação
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